quarta-feira, outubro 26

Simplicidade...
Não hoje, Não nunca
Hoje gostava de escrever de um modo simples. Recto, sem oscilar entre uma metáfora aqui uma aliteração ali. Quero pegar na minha realidade e explana-la neste papel sem precisar de me refugiar na subtileza de um eufemismo, de modo a diminuir o seu impacto. Que sejam fortes as criticas que exprimo! Deixar de lado o medo subjacente a uma comparaçao implicita na metáfora, que normalmente, apenas dá um vislumbre do que é, deixando a ilação a cabo do leitor. Hoje as coisas são o que são, sendo comparadas abertamente ao que lhes mais adequa. Exageros de nada servem! Para que serve pegar nisto, eleva-lo ao ponto máximo da sua pujança no corpo de uma hiperbole quando o seu valor é o que ele próprio expressa? Realmente não sei para que alterar as regras da escrita, invertendo os seus elementos; é me crucial desordenar os elementos frásicos só para evidenciar aquela palavra especifica. Não seria trabalho do leitor encontrar por si o que é de vital no que escrevo? Hiperbatos, também de nada me servem. Se calhar só os uso, com medo de ser incompreendida, que vou deixando rastos sequenciais pelas linhas que debito, recursos influenciadores da leitura. E no meio disto tudo, quando melodia nenhuma ouço, nem ruído, nem coisa nenhuma, aproveito a fónetica do alfabeto para criar um som que quebre a monotonia do meu vazio. Aliteração, ali, aliada a nada, aqui aleanada! Embelezo as ideias que compõem o conteúdo dos meus textos com acessos de loucura, momentos esses em que julgo que o poder de um adjectivo é pouco, dois não atingirá o que pretendo, entao uso três! Não me cinjo a uma adjectivaçao forçada ainda lhes definido uma intensidade gradativa, como se um climax se tratasse, que se inicia fraco e acaba numa tensão fenomenal. Expresso me à luz destes recursos, que manipulo a meu vil prazer. E mais uma vez mesmo não querendo, estes fluem directamente das minhas mãos que as escrevem. Como não haveriam de se libertarem do espaço na minha cabeça a que estão confinados se até mesmo esse local é uma mera antítese do que é e não é. Oh!.. Como simples de nada tem de simples e tudo tem de complexo. E até mesmo agora, em que tento não perecer ao poder ilusório do mundo da fantasia, que projecto na minha escrita, ela está presente: a omissão. Sim, a elipse. E que mais não e talvez nada haja e eu esteja enganada. Possivelmente só lá longe longissimo me seja possivel viver sem papel.
“Estou cego e vejo. Arranco os olhos e vejo."”

1 comentário:

Sarita disse...

LoL por acaso qd acabei de o escrever pensei: mais um bocadinho e dava pa se aprenderem o que sao recursos estilisticos por este texto. mas no final, gostei do que se formou... pq como tu sabes, eu a escrever so mm a luz da infindavel parafernalia de recursos que a lingua portuguesa oferece. e o q seria eu se n fosse vil a ponto de os violar a meu preceito? :P