segunda-feira, junho 19

Conformismos Idos

Este episódio vive em mim, somente, sem datação nem espaço temporal. Lembro-me da temperatura amena que se fazia sentir. Do espaço sobraram-me memórias imprecisas, temo, não ter sido tempo mas sim teu corpo quente contra o meu que se fez sentir sereno ao me trespassar que me aqueceu as reminiscências. Recordo-me com nítidez as visões fotográficas pela dilatação da minha objectiva ocular ao te ver fluir com tamanha leveza que julguei brisa que nos envolve num beijo que se demora e quando parte sua presença permanece como se ainda estive presente. Marcos além do tempo, desse dito tempo de juntos sermos, de negarmos conjuntamente a distância corporal. Ímpetos que nos reportavam magnéticamente um para o outro, força electromotriz incontornável que, aos sentires das mesmas, nossas bocas se calaram e a voz que desta brotava era melodia desejada. Foi desejo, areal do ensejo, brisa oportunista que num levantar mais grosseiro deixou teu corpo exposto ao meu olhar de desejo. Fui impelido contra o teu corpo, mão que cuja cara nunca deixou ser vista, desta sobra-me as marcas da sua investida, o pesar da alma de te sentir exausta pelo tempo que se conta desda tua partida. Vagas que nos molharam os membros, humidificaram-me agora a cara. É este o sal das memórias empedradas. Fui Ícaro em teu corpo alado, Teseu no teu mar Egeu que navegara, Gama que dobrara teu cabo de perdição. Perdi-me para ti, numa emoção que me consumiu, visão mais que perfeita que se chamava amara. Passados que substituiram os termos, de perfeito a partícipio passado – esquecido, perdido, ido. Morto.

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