quinta-feira, julho 13

Obscura Sanidade

Pouso te os dedos sob a tua tez docemente ruborizada pelo calor sereno que emanas, acarício-te a face enquanto te fecho as pálpebras. Fecho os meus olhos contigo também, não vemos, pelo menos não muito além que a distância que os nossos corpos se encontram. Abraça-me que o corpo pede, a alma grita exasperante pelo conforto do teu toque de serenidade espelhado na minha pele. Vem ficar comigo nesta noite de sombrias oportunidades cujo breu tom encobre o desconhecido e enegrece-nos a cara. Escondidos nas sombras urbanas, sentados à esquina da emotividade onde esta se dobra e a razão se inicia, somos nós esses corpos que ao longe ninguém vê. Dois pontos negros banhados pela ausência do luar nocturno. Abraçemo-nos que o escuro, progressivamente, nos suga o calor e ao frio vai dando alento. Aquece-me o corpo que a mente já há muito enrijeceu. Deixa-me ter em mim, um momento só, para que de ti possa eu beber a serenidade que da tua boca escorre! Não existem olhos postos sobre nós, não temas, tu não vês. Nem eu. Com o toque da minha mão, contornando-te o corpo, sentindo-te por baixo dessa roupa que te cobre, toco o que a vista devia sentir. Lamento as luzes que outrora alumiaram-me o caminho, encadeando-me a vista. Fui muito mais cega ontem do que hoje enquanto contigo permaneço sem vista. Fui maior mistério à luz deste meu passado do que ao escuro de hoje, em que não me vês o corpo ou somente vês além deste. Tacteio o escuro os lábios teus da minha saciedade, o teu cheiro que em mim se entranha – a minha vaidade! Corpo do meu prazer, dogma ao qual me converti, sabor para o qual todo o meu palato dei - minha loucura em ti! Deixa-me tudo ser que tu não vês...

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